10/07/2026 - Edição 2310
A Ilha do Governador deu um passo importante na luta pela recuperação ambiental da Baía de Guanabara com a entrega do primeiro Coletor em Tempo Seco (CTS), instalado pela Águas do Rio no Corredor Esportivo, no Moneró. A estrutura impedirá que cerca de 490 mil litros de esgoto in natura sejam despejados diariamente nas águas da baía. O investimento representa um avanço aguardado há décadas pelos moradores, mas também reforça que a região ainda tem um longo caminho até superar um dos seus principais problemas históricos.
O novo sistema intercepta o esgoto lançado irregularmente nas galerias pluviais e o encaminha para a Estação de Tratamento de Esgoto da Ilha do Governador (Etig), recentemente ampliada. Segundo a concessionária, o coletor faz parte de um cinturão sanitário que contará com outros quatro pontos de captação na Praia de São Bento, Canal da Portuguesa e Rio Jequiá. Quando todas as estruturas estiverem em operação, a expectativa é impedir que aproximadamente 4,9 milhões de litros de água contaminada cheguem diariamente à Baía de Guanabara.
Os primeiros reflexos das intervenções já começam a aparecer. Dados do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) apontam que o índice geral de balneabilidade da Praia da Bica passou de 8,33% nos primeiros meses de 2024 para 57%, percentual mantido ao longo deste ano.
Para o diretor-executivo da Águas do Rio, Fábio Dias, a obra marca o início de uma nova etapa para a Ilha. "Estamos levando para a Ilha um sistema que já apresentou resultados importantes em outras regiões da cidade. Nossa meta é devolver praias como a Bica, Guanabara e Engenhoca ao lazer da população até o primeiro semestre de 2027", afirmou.
Apesar do avanço, moradores e especialistas defendem que a iniciativa seja apenas o começo de um processo contínuo. Insulano e ex-presidente da Cedae, Wagner Victer elogiou a implantação do coletor, mas destacou que a recuperação ambiental dependerá da expansão das obras.
— É uma iniciativa extremamente importante, que merece reconhecimento. A coleta em tempo seco é uma solução eficiente para reduzir a carga de esgoto lançada na Baía de Guanabara. Mas a Ilha precisa que esse trabalho avance rapidamente para outros pontos críticos, com fiscalização permanente e novos investimentos. Só assim deixaremos de conviver com promessas e veremos uma recuperação efetiva das nossas praias — afirmou.
A expectativa é que as próximas etapas do projeto sejam concluídas até março do próximo ano. Enquanto isso, a população acompanha com esperança os primeiros resultados, mas também com a cobrança de que a recuperação ambiental da Ilha do Governador não se limite a uma obra isolada.