Opinião

Opinião – José Richard

Onde está a fiscalização?


25/09/2026 - Edição 2321

A falta de fiscalização diante das irregularidades cometidas por uma grande parte dos motociclistas nas ruas da Ilha do Governador já ultrapassou os limites do tolerável. O problema não é novo, mas continua se repetindo sem que sejam adotadas medidas permanentes e eficazes para garantir o cumprimento das leis de trânsito.

Motocicletas avançam sinais, circulam na contramão, trafegam sobre calçadas e, em alguns casos, circulam sem placa. São condutas que desorganizam o trânsito e colocam em risco a vida de todos, inclusive dos próprios motociclistas. Mas quem está mais vulnerável é o pedestre, especialmente ao atravessar uma faixa de segurança.

É um absurdo assistir a situações em que o cidadão inicia a travessia confiando que seu direito será respeitado e precisa interrompê-la diante de uma motocicleta que ignora o sinal ou a faixa. A calçada, que deveria ser território protegido do pedestre, também vem sendo utilizada irregularmente por motos.

Mais preocupante ainda é observar motocicletas transportando crianças pequenas em condições que podem representar riscos em uma freada ou manobra brusca. Em alguns casos, são duas crianças: uma à frente do condutor e outra no banco traseiro. Não se trata apenas de uma infração. É uma situação que exige fiscalização e responsabilidade.

O que causa perplexidade é a percepção de que determinadas irregularidades acontecem repetidamente, muitas vezes à vista de todos, sem que a fiscalização produza uma resposta capaz de interromper esse comportamento. Quando a autoridade presencia uma infração e não age, transmite ao infrator a perigosa sensação de que a lei pode ser desrespeitada sem consequências.

A população da Ilha não pede privilégios. Pede segurança, respeito e cumprimento das leis. A fiscalização deve proteger pedestres, motoristas e motociclistas, sem tolerância com as condutas que coloquem vidas em risco.

A autoridade pública tem o dever de fiscalizar e agir. A segurança no trânsito não pode depender da sorte de quem atravessa uma rua ou caminha por uma calçada.