Opinião

Opinião – José Richard

O Desafio do Transporte na Ilha do Governador


18/09/2026 - Edição 2320

Um dos problemas que mais afetam a qualidade de vida na Ilha do Governador há anos é a mobilidade urbana. A dificuldade de deslocamento é sentida diariamente por trabalhadores, estudantes, idosos e por todos que precisam circular pela região ou sair dela.

Em bairros como Ribeira, Zumbi e Tubiacanga, a situação exige atenção especial. Tubiacanga, por exemplo, enfrenta uma deficiência ainda mais grave: poucas opções de transporte coletivo, horários insuficientes e ausência de uma ligação regular de ônibus com outras regiões da cidade. Para uma comunidade que também precisa acessar serviços, empregos e instituições fora da Ilha, essa realidade representa uma limitação que não pode ser ignorada.

Outro ponto que precisa entrar definitivamente na agenda das prioridades é o transporte aquaviário. A ligação por barcas entre Cocotá e a Praça XV poderia oferecer uma alternativa importante para quem trabalha, estuda ou possui compromissos no Centro do Rio. Entretanto, a quantidade reduzida de viagens atualmente disponíveis nos dias úteis está muito distante das necessidades da população insulana.

É difícil compreender que uma região com quase 300 mil habitantes disponha de apenas três horários de ida pela manhã e três de retorno no fim do dia. Além da pouca frequência, atrasos e condições nem sempre adequadas das embarcações tornam a viagem ainda mais desgastante.

Se o transporte aquaviário pode desempenhar papel relevante em Niterói, é legítimo discutir por que a Ilha do Governador não pode contar com um serviço mais frequente e eficiente. Uma alternativa seria estabelecer viagens regulares, com intervalos de aproximadamente uma hora, tanto de ida como de volta, entre Cocotá e a Praça XV. Ou seja: horários compatíveis com a rotina da população.

Insisto: a mobilidade urbana precisa ser tratada como prioridade para a Ilha. No caso das barcas, a responsabilidade da concessão é do Governo do Estado. Por isso, cabe aos moradores acompanhar, cobrar e participar desse debate. E este o momento de colocar o transporte público aquaviário na pauta das prioridades.