14/08/2026 - Edição 2315
A notícia de que estaria sendo estudada a possibilidade de implantar uma linha de metrô ligando Cocotá, na Ilha do Governador, ao Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, merece ser recebida com cautela. Não pela importância de ampliar as alternativas de transporte, mas pela realidade que cerca a Ilha, uma região já sufocada pelo trânsito e com enormes dificuldades para receber grandes obras de infraestrutura.
Uma intervenção dessa magnitude exigiria investimentos elevados e provocaria impactos significativos durante anos, especialmente se dependesse de obras subterrâneas. Basta observar o que ocorre em trechos da Estrada do Cacuia, onde qualquer intervenção já representa um desafio para a mobilidade.
Enquanto projetos de grande complexidade são discutidos, existe uma alternativa muito mais imediata, racional e compatível com a geografia da Ilha, que é recuperar e ampliar o transporte marítimo de passageiros.
O retorno à ligação eficiente e responsável por barcas entre Cocotá e a Praça XV poderia representar uma verdadeira transformação na rotina de milhares de insulanos que diariamente enfrentam congestionamentos na Estrada do Galeão, na Linha Vermelha e nas demais vias de acesso ao continente.
A experiência de Niterói demonstra que o transporte aquaviário pode ser eficiente quando conta com horários adequados, regularidade, segurança e qualidade. Por que a população da Ilha não pode ter o mesmo direito?
A estação de Cocotá, que poderia ser um importante ponto de integração, permanece subutilizada. É difícil compreender por que uma estrutura existente não recebe a atenção necessária para oferecer um serviço digno e eficiente.
Mais do que novos estudos e projetos de longa execução, a Ilha precisa de soluções concretas. Barcas de hora em hora, das 6h às 21h, nos dois sentidos, deveriam ser uma prioridade.
Investir no transporte marítimo não significa abandonar o metrô ou outras alternativas. Significa reconhecer as necessidades mais urgentes da população e utilizar, com inteligência, aquilo que a própria geografia da Ilha oferece: a Baía de Guanabara como uma grande via de transporte.
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