Opinião

Opinião – José Richard

O Preço da Irresponsabilidade


07/08/2026 - Edição 2314

A interrupção, há poucos dias, das operações no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), provocada pela presença de um balão à deriva nos céus da área de aproximação das aeronaves, trouxe novamente à tona um problema antigo que insiste em desafiar a inteligência, a responsabilidade e o respeito pela vida. Mais do que um transtorno operacional, o episódio representa um grave alerta para toda a população da Ilha do Governador e para milhões de pessoas que dependem diariamente da segurança da aviação.

Não se trata de uma simples brincadeira nem de uma manifestação cultural inofensiva. Fabricar, transportar e soltar balões é crime previsto na legislação brasileira justamente porque os riscos envolvidos são enormes. Um balão desgovernado pode atingir aeronaves durante as delicadas fases de decolagem e pouso, provocar incêndios em residências, áreas de vegetação e instalações industriais, além de colocar em perigo vidas humanas de forma absolutamente desnecessária.

No caso da Ilha do Governador, a preocupação é ainda maior. Além de abrigar o aeroporto, a região concentra importantes instalações ligadas ao armazenamento, fabricação e distribuição de derivados de petróleo. Um balão em chamas que atinja uma dessas áreas poderá desencadear consequências imprevisíveis, colocando em risco trabalhadores e moradores da região. O prejuízo deixaria de ser apenas material para assumir proporções humanas e ambientais irreparáveis.

É inadmissível que ainda exista pessoas dispostas a alimentar essa prática criminosa, ignorando deliberadamente as consequências de seus atos. O combate a esse crime exige atuação permanente das forças de segurança, fiscalização rigorosa e punição exemplar dos responsáveis. Porém, nenhuma ação será plenamente eficaz sem a participação da sociedade.

É preciso romper o silêncio, denunciar os envolvidos e conscientizar crianças e jovens de que tradição alguma pode prevalecer sobre o direito à vida. Não é aceitável esperar por uma tragédia para que providências mais severas sejam tomadas.