29/05/2026 - Edição 2304
Há poucos anos, os bancos disputavam os melhores pontos comerciais da região. Na própria quadra onde funciona a redação do jornal Ilha Notícias, na Estrada do Galeão - Portuguesa -, chegou a funcionar simultaneamente seis agências bancárias: Banco do Brasil, Caixa Econômica, Santander e duas unidades do Itaú. O movimento era grande em todas e as filas, sobretudo na Caixa, eram constantes e revelavam uma intensa circulação de pessoas e serviços.
Em outros bairros da Ilha, o cenário era semelhante. O Bradesco, por exemplo, mantinha várias agências espalhadas pelos bairros da região. Não faltavam opções para o atendimento presencial dos insulanos. Os bancos eram instituições de convivência cotidiana, onde muitos clientes conheciam funcionários pelo nome e recebiam orientação direta para resolver problemas financeiros.
Mas a tecnologia mudou tudo. A popularização do PIX, dos aplicativos bancários e das maquininhas eletrônicas acelerou uma verdadeira revolução no sistema financeiro. O dinheiro em papel praticamente desapareceu do cotidiano e os cartões ou celulares passaram a ocupar o espaço antes reservado às cédulas e moedas.
Os banqueiros, naturalmente atentos aos custos e à lucratividade, iniciaram um amplo processo de fechamento de agências em todo o Brasil. Na quadra da Estrada do Galeão onde antes os bancos disputavam clientes, restou apenas o Banco do Brasil. Os antigos prédios bancários hoje estão vazios ou são disputados por novas ondas de negócios: farmácias, clínicas, pet shops e outros segmentos.
A modernização trouxe também um preocupante distanciamento humano. Muitas agências que ainda resistem praticamente se limitam aos caixas eletrônicos, empurrando os clientes para centrais telefônicas, aplicativos e gerentes virtuais. Para a população mais idosa — acostumada ao atendimento presencial, ao diálogo e ao acolhimento — essa mudança representa sofrimento, insegurança e sensação de abandono.
Penso que a eficiência tecnológica não deveria significar o distanciamento do contato humano. Afinal, por trás de cada conta bancária existe uma pessoa que, muitas vezes, precisa mais de atenção do que de um robô programado para responder mensagens automáticas.
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