Opinião

Opinião – José Richard

A opção do transporte pelas barcas


01/05/2026 - Edição 2300

A Ilha do Governador reúne características que a colocam em posição estratégica no cenário do estado. Mais do que um conjunto de 14 bairros e quase 300 mil habitantes, trata-se de uma região com vocação clara para o desenvolvimento integrado, onde infraestrutura e qualidade de vida caminham lado a lado.

Entre as demandas históricas, legítimas e cada vez mais urgentes, destaca-se dar o verdadeiro valor ao funcionamento do transporte de passageiros pelas barcas. É, portanto, urgente a implantação de um sistema eficiente e moderno conectando a Ilha ao centro da cidade — especialmente à região da Praça XV — e também a municípios do entorno da Baía, como Duque de Caxias, Magé, São Gonçalo, Niterói e a Ilha de Paquetá.

Trata-se de uma solução viável, sustentável e plenamente alinhada à geografia da cidade. Mais do que uma alternativa de mobilidade, o transporte aquaviário representa uma política pública estruturante. Reduz a dependência das vias terrestres, ajuda a desafogar o trânsito e encurta o tempo de deslocamento. É importante ser integrado ao sistema de ônibus e vans, ampliando as oportunidades de trabalho e acesso a serviços para a população insulana. Poderia, ainda, conectar de forma estratégica os aeroportos do Galeão e Santos Dumont.

A Ilha se destaca por seus ativos — qualidade de vida, bairros com forte identidade comunitária, comércio diversificado, praças e polos gastronômicos — que a tornam referência na cidade. Esse equilíbrio, no entanto, precisa ser preservado e fortalecido por meio de um melhor aproveitamento do transporte marítimo, cujo potencial precisa ser integralmente colocado a serviço da população e das atividades produtivas. É inadmissível que essa pauta permaneça negligenciada.

Inserir a Ilha do Governador no mapa das prioridades do transporte marítimo é reconhecer, ainda que tardiamente, sua importância estratégica e, sobretudo, atender a uma demanda concreta da população insulana.