Opinião

Opinião – José Richard


01/08/2025 - Edição 2261

A questão do saneamento básico na Ilha do Governador continua sendo um dos temas mais críticos e negligenciados da região. A cada ano, cresce o número de denúncias envolvendo ligações clandestinas de esgoto lançadas diretamente na rede de águas pluviais através de estruturas subterrâneas originalmente destinadas apenas à drenagem da chuva, mas que hoje escondem crimes ambientais difíceis de rastrear e punir. 

O resultado dessa prática são praias contaminadas, águas impróprias para o banho e vias públicas constantemente remendadas pelas ligações caseiras, fruto de obras que apenas encobrem a extensão real do problema. Em muitos pontos da orla Ilha, basta observar uma maré baixa para encontrar indícios claros do descaso e poluição. 

Um exemplo emblemático é a Praia da Engenhoca, localizada entre os bairros do Zumbi e Ribeira. Ali, uma antiga rede de manilhas de concreto se torna visível durante a maré baixa e despeja na areia água com forte mau cheiro, denunciando a presença de esgoto. Essa situação na Engenhoca foi recentemente abordada em matéria do jornal Ilha Notícias, que cobrou esclarecimentos da concessionária Águas do Rio.  

A empresa afirmou que acabará de vistoriar a canalização dessa rede que chega até a praia e garantiu não haver mais nenhuma ligação de esgoto, mesmo diante das evidências visíveis a olho nu. A Águas do Rio pode ter dificuldades para mapear uma rede antiga e de difícil acesso — mas, na prática, a explicação não pode servir como um escudo para eximir-se como se a rede estivesse totalmente inoperante. 

É inadmissível que, diante da suspeita de contaminação por esgoto, a resposta seja uma negativa baseada em incertezas técnicas naturais de uma antiga rede subterrânea. O mínimo esperado seria retirar as manilhas das areias, com transparência e soluções efetivas. Afinal, estamos falando de uma denúncia com risco direto à saúde pública e ao meio ambiente. 

Enquanto não forem tomadas providências para resolver o problema a população seguirá exposta, e a Ilha do Governador continuará convivendo com um problema que parece invisível aos olhos da concessionária, mas que se escancara nas areias e águas das nossas praias, contribuindo para piorar cada dia mais a poluição da Baía de Guanabara.