Opinião

Opinião – José Richard


18/07/2025 - Edição 2259

Na edição a semana passada, o Ilha Notícias publicou texto do professor Juberto Santos que resgata memória de como eram as praias da Ilha do Governador há cerca de 50 anos. O destaque ficou por conta de uma foto histórica da Praia do Galeão, registrada no início da década de 1970. A imagem mostra a praia completamente tomada por banhistas, em cenas que hoje soam quase irreais para aquele local. 

Naquele tempo, as águas da região eram limpas, calmas e frequentadas por famílias inteiras, inclusive vindas de diversos bairros da cidade. A Ilha do Governador era considerada um dos principais destinos de lazer nos fins de semana para quem buscava o lazer em um ambiente saudável e seguro. 

Na época a Praia da Freguesia, no Bananal, também recebia multidões. Os relatos de antigos frequentadores falam de piqueniques nas areias claras e limpas, crianças brincando soltas, e a presença de peixinhos e até cavalos-marinhos nas margens da Baía de Guanabara. O trajeto até lá, muitas vezes feito em ônibus com destino final na Pedra da Onça, era marcado pela expectativa de um dia divertido e agradável ao lado de amigos e familiares. 

Mas o que era símbolo de lazer e beleza natural hoje está entregue à poluição das águas. A Praia do Galeão, outrora lotada, atualmente vive vazia mesmo sob o sol nos dias quentes do verão. As águas que antes encantavam agora repelem. A poluição tomou conta, afastando banhistas, moradores e qualquer esperança de turismo e lazer sustentável. 

Enquanto outras poucas praias da região ainda recebem banhistas, mais interessados em pegar sol e praticar esportes nas areias, o mergulho virou risco. A Baía de Guanabara, vítima de décadas de descaso ambiental, segue sem perspectivas de recuperação. 

É lamentável ver esse retrato do passado confrontado com a situação atual. O tempo passa, mas a omissão permanece. Sem ações concretas e contínuas de despoluição e preservação, a memória das praias limpas da Ilha do Governador corre o risco de se tornar apenas isso: uma lembrança distante de um paraíso que se perdeu.