03/04/2026 - Edição 2296
A Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), abriu consulta pública de 30 dias para discutir o novo modelo do Sistema Rio de ônibus, com impacto direto no serviço oferecido aos insulanos. O projeto prevê mudanças nas linhas, renovação da frota e novas regras de operação, com início previsto para dezembro deste ano.
Entre as principais alterações está a reestruturação das linhas. Rotas tradicionais que fazem ligação direta com o Centro, como a 324 pela Avenida Brasil e as linhas 321, 325 e 327 pela Linha Vermelha, não aparecem no edital atual, o que pode indicar mudanças ou até extinção. Com isso, a Ilha pode perder parte das viagens diretas, mantendo apenas a linha 323 com esse perfil. Moradores de regiões como Bancários e Ribeira devem depender mais de integrações com terminais e outros modais, como o BRT.
Por outro lado, o novo sistema traz ampliação de opções e novas conexões. Estão previstas linhas como a 902 (Ribeira x Metrô Del Castilho) e a 930 (Fundão x Barra da Tijuca), além da ampliação de trajetos como a 901 e 915 até Del Castilho e a 910 até Vicente de Carvalho. Linhas como 934, 935 e 322 também retornam à operação, o que fortalece o fluxo dentro da Ilha.
Outro destaque é a renovação da frota. Os novos ônibus serão 100% zero quilômetro, com ar-condicionado, piso baixo, acessibilidade com rampas, câmeras de segurança, GPS integrado, carregadores USB e painéis eletrônicos de informação. Os veículos seguirão o padrão ambiental Euro VI, que reduz significativamente a emissão de poluentes, e poderão utilizar tecnologias limpas, como gás natural e energia elétrica.
O modelo de remuneração também muda: as empresas deixarão de ganhar por passageiro e passarão a ser pagas por quilômetro rodado, com subsídio público. A medida busca reduzir a disputa por passageiros e aumentar a regularidade das viagens. “Esse novo formato incentiva a qualidade do serviço, com mais previsibilidade e menos superlotação”, informou a SMTR.
Além disso, o controle da operação será ampliado. O sistema contará com monitoramento em tempo real e avaliação constante por indicadores de desempenho, como o Índice de Qualidade do Transporte (IQT). Empresas que não cumprirem metas poderão sofrer penalidades, perder linhas e até ter contratos revistos.
Apesar dos avanços, moradores demonstram preocupação com a possível redução de linhas diretas. “Se tirarem os ônibus diretos para o Centro, vai complicar muito. Nem todo mundo pode ficar fazendo integração todo dia”, afirmou o morador Cleberson Monteiro, do Bancários.
Procuradas pela reportagem, as empresas Ideal e Paranapuan não responderam se participarão da nova licitação. A consulta pública segue aberta, e a participação popular será fundamental para ajustes no projeto.