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Cinco linhas de ônibus deixam de circular

Passageiros reclamam de ônibus cheios e demorados


04/06/2021 - Edição 2044

Pontos sem ônibus e passageiros que esperam por muito tempo são cenas comuns na rotina dos insulanos
Pontos sem ônibus e passageiros que esperam por muito tempo são cenas comuns na rotina dos insulanos

Uma dor de cabeça que parece não ter fim. Esta é a sensação dramática de milhares de insulanos que diariamente dependem das linhas de ônibus, sobretudo as circulares, para se locomover. Nos últimos meses, os passageiros denunciam que diversas linhas simplesmente desapareceram das ruas da Ilha ou tiveram as frotas drasticamente reduzidas. Numa época de pandemia, onde se recomenda evitar aglomerações, esta situação é ainda mais desesperadora com os usuários viajando em coletivos cheios.  

Em levantamento realizado com os leitores do Ilha Notícias, usuários do sistema de transporte público, dez linhas, no mínimo, reduziram bastante o intervalo de viagens. São elas: 901 (Bananal/Bonsucesso); 914 (Bananal/Vigário Geral); 915 (Galeão/Bonsucesso); 922 (Tubiacanga/Aeroporto); 924 (Bananal/Aeroporto); 934 (Ribeira/Portuguesa); 935 (Ribeira/Portuguesa – Circular); 322 (Ribeira/Castelo); 327 (Ribeira/Castelo – Via Linha Vermelha) e 635 (Bananal/Saens Peña – Via Linha Vermelha). Dessas linhas acima, cinco pararam de rodar sem justificativa alguma, casos da 635, 914, 915, 901 e 934.  

 Não há pontualidade. Hoje a linha pode passar, mas amanhã você já não sabe. É um desrespeito. Falta transparência com a população, que é vista pelas empresas de ônibus apenas como cifras. Cansei de ser obrigado a recorrer aos aplicativos de carro para me deslocar e não atrasar meus compromissos. É triste, muito triste – comenta o insulano Matheus Araújo, de 42 anos, morador do Cocotá, que trabalha há dez anos no Centro da cidade. 

No início de fevereiro, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), enviou ofício para os consórcios de empresas de ônibus do munícipio determinando o retorno de 40 linhas que haviam sumido ou estavam com intervalos irregulares na Cidade, sob ameaça de multa. No entanto, para espanto dos insulanos, as linhas sumidas da Ilha do Governador, com exceção da 922 que alimenta o bairro de Tubiacanga, não apareceram como prioridade neste relatório. Enquanto as linhas não retornam, quem sofre são os passageiros, que vivem à mercê da sorte.  

— Se engana quem pensa que este problema começou na pandemia. Já sofro em pontos de ônibus esperando minha condução há tempos. A pandemia veio para agravar a falta de responsabilidade das empresas de ônibus. Eu me sinto uma verdadeira prisioneira de um sistema de transporte ineficiente – desabafa Beatriz Santos, de 29 anos, moradora das Pitangueiras.  

Procurada, a SMTR informou que está trabalhando na revisão de linhas de ônibus inoperantes ou com pouco atendimento, como é o caso das linhas citadas nesta matéria. Segundo a secretaria, a ideia da pasta é propor modificações de forma a otimizar e reestruturar o sistema de transporte da região, de modo a atender plenamente a população.