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Opinião

03/08/2018 - opiniao /Edição 1896
Enquanto o sistema público de transporte de passageiros não for resgatado em sua importância e respeito com os passageiros, acredito que não poderá ser exigido da população senão muita indignação. São guerreiros os cidadãos, homens e mulheres que sofrem diariamente, e por anos, no aperto dos ônibus lotados onde a maioria viaja em pé como se fossem sacos de batatas, jogados pra todo lado nas paradas e curvas. É terrível suportar tudo sem ter a opção de outros meios de transporte público pontual, limpo e confortável.
 
O trabalhador enfrenta uma verdadeira guerra na qual ele é o grande derrotado. Guerra que se repete todos dias como fosse um pesadelo, sem nenhuma perspectiva e esperança. São graves os maus tratos a que são submetidas as pessoas que esperam durante longo tempo por ônibus lotados nos pontos. Não há respeito. As barcas, ônibus e vans funcionam mal e só atendem aos interesses dos donos, cujo único objetivo é a receita.
 
As barcas no trajeto Ilha x Centro e vice versa só fazem viagens com lucro. Todos os outros horários que podiam atender a população foram descartados e deixam os insulanos sem opção. Isso é um desrespeito inadmissível com o direito de ir e vir. É uma verdadeira covardia contra a população que precisa estudar, trabalhar e cumprir outras responsabilidades, mas que fica refém de um sistema onde há inércia no planejamento e falta respeito com a população.
 
Assim também funcionam vans e ônibus numa dimensão maior e mais perigosa. Dezenas de ônibus velhos e sujos enguiçam diariamente, na Ilha, deixando passageiros na mão. Enquanto centenas de vans desrespeitam todas as regras de trânsito, não aceitam o Riocard, nem idosos. Os motoristas desses veículos andam feito loucos pelas ruas na captura de passageiros e desrespeitam os sinais de trânsito, circulam de portas abertas, além de ocupar os pontos de ônibus até conseguir a lotação. Sofrem os passageiros com o barulho que produzem em busca da lotação completa e chegam a mudar itinerários para ganhar mais. É o que interessa: lucrar. O povo sofrido e sozinho em suas desesperanças, e já sem forças para reclamar é a grande vítima. É uma vergonha tudo isso!



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