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Gente da Ilha - Mestre Odilon Costa

18/05/2012 - Gente da Ilha /Edição 1572

"Com 11 anos eu fui para a União"

 

Um dos maiores orgulhos de Odilon Costa é ter nascido na Colônia Z-10. Os amigos e as lembranças do que viveu morando na Rua Teodoro Sales fazem parte das memórias felizes desse filho de pescador que mais tarde veio a se tornar um dos mais conceituados mestres de bateria de escola de samba do Brasil. O interesse pelos instrumentos musicais começou ainda na infância e em mais de 40 anos dedicados ao samba, Mestre Odilon tem passagens pela bateria do Salgueiro, Beija-Flor, Grande Rio, Mocidade e a União da Ilha, onde iniciou a sua carreira e que tem como a escola do seu coração.

 

 

Foi sozinho, apenas ouvindo e observando os movimentos dos ritmistas, que Odilon aprendeu a tocar repique, tamborim, caixa e todos os instrumentos de percussão da bateria da União da Ilha. O convite para se integrar a escola veio do compositor Didi, quando Odilon tinha apenas 11 anos. "Eu ficava fascinado pela bateria do bloco do Carlúcio, que era famoso na Colônia, e um dia falei para o Didi sobre isso e ele me levou para a União", conta.

 

Com um dom natural para decifrar o som de cada instrumento de uma escola de samba, em 1991, Odilon assumiu a bateria da tricolor insulana. "O enredo antológico homenageava o amigo Didi. ‘De bar em Bar, Didi, um poeta’ ficou marcado como um dos mais bonitos da União", lembra-se Odilon. Com o sucesso da estreia, o mestre foi contrato pela Acadêmicos do Salgueiro, mas foi na Grande Rio que a carreira se consagrou.

 

– Foram 11 anos à frente da bateria da Grande Rio dos quais em oito eu ganhei nota dez de todos os jurados e dois estandartes de ouro em 99 e 2005. Resultado de um trabalho árduo de muito estudo e ensaios com os ritmistas. Entrei novinho e sai de cabelos brancos da Grande Rio, não foi à toa. Carnaval é trabalho e dedicação, além de muito amor – explica Odilon.

 

Experiente, Odilon aproveitou seu conhecimento sobre as peculiaridades rítmicas que compõe uma bateria e no ano 2000 escreveu o livro "O Batuque Carioca" em parceria com o baterista Guilherme Gonçalves, onde faz um registro completo sobre as características da bateria das principais escolas de samba do Rio de Janeiro.

 

– O livro mostra todos os instrumentos que compõem a bateria das agremiações, incluindo função, história e a forma de tocá-los. As diferenças são muitas, e podem estar na afinação dos instrumentos ou na maneira como os ritmistas se comunicam durante os ensaios e desfiles – explica Odilon que teve o livro relançado no início deste ano em dois idiomas: inglês e português.

 

Quando decidiu se afastar do comando das baterias, Odilon passou a ser convidado para dar cursos, workshops e palestras. "Já treinei julgadores das escolas de samba do grupo especial para ensiná-los a avaliar uma boa bateria e dei aula e palestras em diversos estados do Brasil. Sinto o reconhecimento do meu trabalho, é muito prazeroso e gratificante, pois o samba me deu muitas oportunidades de crescimento e tudo que eu tenho hoje em dia", comenta.

 

Fã de gastronomia, nas horas vagas Odilon gosta de botar em prática as técnicas de cozinha que aprendeu no curso de cozinheiro que fez no Senac. "É um hobby muito gostoso, adoro fazer minha própria comida e também cozinhar para amigos", diz. Pai de Débora, que mora no Cacuia, é um avô coruja dos netos Lucas de 11 anos e Luan de três. "Os dois são danados e me trazem muita alegria. O Lucas já começou a tocar o surdo no bloco de carnaval da Colônia. Acho que puxou ao avô", brinca este grande mestre de bateria, simpático e bom amigo, cujo talento é reconhecido pelo mundo do samba onde é um profissional respeitado e desejado pelas principais escolas de samba do Rio de Janeiro.




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