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Feijoada do Gaúcho faz a diferença

24/08/2018 - gente-da-ilha /Edição 1899
Há mais de trinta anos trabalhando no ramo de gastronomia, Ermano José, o Gaúcho, (62), garante um boa comida para os clientes do Restaurante do Gaúcho, localizado nos Bancários. Aos sábados ele prepara uma feijoada que atrai gente de outras regiões da cidade. Natural do Rio Grande do Sul, Ermano aprendeu no sul o tato para cortes de carnes macios e especiais, que garantem aquele sabor de dar água na boca. 

Quando criança, Ermano, viveu em Frederico Westphalen, lugar de forte descendência alemã, e na época era totalmente rural, cuja cultura era de subsistência. Na região, a língua falada era o alemão e ele pouco sabia do português. Foi nos colégios de vilas vizinhas que Gaúcho que aprimorou o idioma luso-brasileiro. 

— Desde cedo aprendi o alemão. Na vila, onde eu vivia, nos comunicávamos por esse idioma e encontrei certa resistência para falar o português. Só depois de algum tempo percebi que falar mais de um idioma, era na verdade uma grande vantagem no mercado de trabalho. Minha mãe Maria Augusta, me colocou em um curso de inglês e com 18 anos falava três idiomas mais o latim, durante as missas como coroinha – brinca.

Ao concluir o ensino médio, Gaúcho conseguiu emprego no Banco Aimoré onde trabalhou por alguns anos em filias de Santa Catarina e Paraná. Com 22 anos, decidiu tentar a vida no Rio de Janeiro e veio morar no Tijolinhos, com o irmão Eliseu. Devido a facilidade dos idiomas foi trabalhar na área de turismo em Copacabana, onde ficou por pouco tempo antes de se aventurar como empreendedor. 

Em 1986, em sociedade com o irmão Eliseu, comprou um bar na Ilha e o transformou em uma pensão, nos Bancários. Preparavam e vendiam almoços em quentinhas. Em pouco tempo, a qualidade da comida fez a diferença e a pensão se transformou no atual Restaurante do Gaúcho.

 — Os clientes aprovaram a o tempero e a qualidade e o comércio prosperou. O nome do restaurante foi criado pelos clientes. Eles diziam: “Borá lá na feijoada do Gaúcho”. E acabou ficando esse nome que até hoje é tradição das feijoadas aos sábados – conta Gaúcho. 

Religioso, por influencia da mãe, foi coroinha e ajudou missas em Latim. Era casado com Maria Naue, que faleceu aos 46 anos. Com ela, teve dois filhos, o Renan, também proprietário do Restaurante do Gaúcho e Raquel, que lhe deu o primeiro netinho: o Luca. “Descobri que é muito melhor ser avô do que pai. Com netinho você só curte. Sou um vovô babão.”
Ermano José é um gaúcho vencedor. Gremista, mantém sempre viva a vontade de fazer a diferença em tudo que realiza. É Gente da Ilha.




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