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Chacrinha da Ilha e as marionetes

16/03/2018 - gente-da-ilha /Edição 1876
Nascido no Santo Cristo, João veio para a Ilha logo no seu primeiro ano de vida e daqui não saiu mais. Conhecido como Chacrinha da Ilha, ele é um artista de rua, caricato, espontâneo e original. Desde a década de 70, João se destaca nas ruas da Ilha e do Centro da cidade com apresentações de dança de marionetes na telinha da TV, que carrega consigo. 
 
Filho de João Alves e Alda da Conceição, ele cresceu nas ruas do Cocotá e na Ilha do Boqueirão, onde morou por um tempo. Sempre gentil e cortês, desde pequeno é um fazedor de amizades. Sua diversão na infância era ouvir músicas e participar das tradicionais brincadeiras de criança, como jogar peão, soltar pipa e os piques. 
 
— Agradeço a Deus a educação que eu recebi de meus pais. Eles foram fontes de inspiração para eu começar a minha vida. Sempre me ensinaram o caminho do bem e era difícil faltar algo em casa. 
 
A identificação com o Aterro do Cocotá começou aos 14 anos quando estudava no Colégio Governador e era frequentador assíduo do local. Lá ele passava as tardes com os colegas e praticava as mais variadas atividades, inclusive luaus com músicas da época. Essas apresentações foram se repetindo e se tornaram uma rotina nos finais de tarde no Cocotá.  
 
A atração pela arte cultural esteve presente durante toda sua infância, mas foi pela superação que o dom de cantar e divertir as pessoas, se transformou em um talento pessoal. Em 1973, ele foi atropelado por um ônibus e perdeu parte do fêmur. Sem conseguir trabalho e com duas filhas novas em casa, procurou na rua o sustento da família. 
 
A partir daí, Chacrinha da Ilha, seguiu a tendência da época e começou a confeccionar marionetes. Foi no Largo da Carioca que ele se notabilizou como artista de rua e, enquanto vendia seus produtos, apresentava um show dançando diversos hits com as marionetes na mão, sempre ao lado dos amigos Castanha e Caju, hoje famosos repentistas. 
 
Seu talento abriu as portas para apresentações em programas de televisão. Incentivado por amigos, ele fez shows nas emissoras de TV durante as décadas de 70 e 80. Passou pelo programa do Jair Turmaturgo, da extinta TV Tupi, pelo Fantástico, da TV Globo, e chegou a gravar comercial para a Drogaria Romeiros. 
 
Em uma dessas aventuras na TV, ele foi ao programa do Chacrinha e recebeu o famoso “buzinaço” do próprio Chacrinha. O cantor Waldick Soriano, um dos jurados do programa se encantou com o show de João. 
 
— Foi uma época sensacional da minha vida. Lembro que anos mais tarde, quando me apresentei no quiosque Dom Franguito, ao lado do Elymar Santos, o próprio Waldick Soriano me apelidou de Chacrinha da Ilha. 
 
Após quase 27 anos parado por conta do baque que sofreu com a morte de uma de suas filhas, ele voltou às ruas esse ano e vende suas marionetes na Estrada do Cacuia, todos os dias no período da tarde, enquanto à noite faz shows para crianças.
 
João tem o sonho de montar um “Balé de Marionetes” com apresentações gratuitas para transmitir a arte para as novas gerações. 
 
— É um brinquedo didático para as crianças, que mexe com a mente e trabalha a parte da coordenação motora. Quero continuar engajado na arte e modificar um pouco essa nova cultura dos pequenos para fazê-los esquecer de brinquedos eletrônicos. 
 
Seu jeito irreverente de ser, original e alegre contagia todos que o conhecem. João Chacrinha da Ilha é um dos personagens caricatos da arte cultural da região, merece o carinho e o apoio da comunidade. É uma figura importante e muito gente boa. É Gente da Ilha!








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