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Arroz e feijão, ensopado com carne, farofa, salada e um suco de laranja para acompanhar é o cardápio para o jantar, com direito a um saboroso doce de frutas de sobremesa. Muitos moradores de rua só sabem o que é comer uma refeição nutritiva quando os voluntários da Igreja São Francisco de Assis chegam e distribuem as cerca de 120 quentinhas.

Toda segunda-feira, 27 integrantes da Pastoral População de Rua se reúnem em três turnos e alguns começam cedo, às 8h, na Capela de São Francisco de Assis, para preparar a comida e temperar oito quilos de carne, cinco de feijão, sete de arroz e quatro quilos de farinha. Eles vestem os aventais e colocam a mão na massa sem demonstrar cansaço.

— Tem o pessoal da manhã que escolhe e corta os melhores legumes e carnes que são doados por açougues e sacolões de toda a parte da Ilha; além de também cozinhar. A turma da tarde separa os talheres e copos descartáveis e monta as quentinhas quase na hora de sair para as ruas. E a galera da noite sai em quatro carros para distribuir as refeições - explicou Dalva Galeno, que está a um ano à frente da coordenação do projeto.

Maria de Lurdes do Nascimento contou que a pastoral faz 15 anos em março de 2011 e que tudo era na sua casa nos primeiros quatro anos. Dona Lurdes contava com a ajuda de vizinhos e fazia lanches para os desabrigados todos os domingos. “Quando eu ia a aniversários, separava as colheres e garfos de plásticos, levava para casa, lavava com água e detergente e depois colocava na água quente para reutilizar”, relembrou Lurdes, enquanto picava as carnes para o ensopado.

De acordo com ela, os atuais voluntários são bem-recebidos e quando há retaliação por algum novo morador de rua, os antigos tomam partido e defendem os amigos da igreja. “Quando há perigo, em qualquer lugar que seja, eles logo nos avisam e nos orientam a não passar por lá”, acrescentou Dona Lurdes, que é chamada de mãe por aqueles que não têm teto.

Antes de comer, os moradores de rua rezam e agradecem pela alimentação. Dalva revelou que muitos deles, não esperam nem a colher para poder comer e pedem para orar após a refeição, já que estão famintos. Mas a pastoral não se atém apenas à entrega das quentinhas, uma enfermeira acompanha a distribuição e faz curativos naqueles moradores de rua que estão com feridas abertas ou cortes profundos. Além disso, se alguém quiser se recuperar dos vícios, a equipe encaminha para o abrigo Maranathá, que fica em Cabuçu, Nova Iguaçu.

A instituição também enfrenta dias difíceis em que as doações de alimentos, roupas e cobertores não são suficientes. A capela de São Francisco de Assis, fica próximo ao condomínio Tijolinhos, em frente ao Brizolão, e está de portas abertas para receber a ajuda dos insulanos.
 
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Ano XXXIV - Edição 1480
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