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Colégio nas Pitangueiras suspende as aulas por falta d’água e Cedae não age
por: Paloma de Macedo

É inacreditável que ainda hoje, na cidade do Rio de Janeiro, uma escola pública tenha que ser fechada e os alunos terem as aulas suspensas, porque dois bairros da Ilha não recebem água há três semanas. Milhares de moradores sofrem com a falta de providências da Cedae, que se limita a trocar a bomba depois de dias no conserto.

Não há bombas de reserva, diz a companhia, e com as torneiras secas, a solução dos moradores é fazer a comida com água mineral e contratar carros-pipas para tomar banho e lavar a roupa. Isso, entretanto, eleva as despesas das famílias que estão revoltadas com a ineficiência.

Boogie Woogie e Pitangeiras sofrem com a falta d´água

No Morro da Viúva localizada no alto das Pitangueiras e no Boogie Woogie, faz mais de 20 dias que falta água e os moradores não tem mais a quem recorrer. O Colégio Municipal Cândido Portinari que fica bem no alto do morro suspendeu as aulas há duas semanas. Os alunos que todo dia sobem para estudar, são obrigados a voltar para casa, porque o colégio não tem água para beber e nem para fazer a merenda.

Moradores já chamaram a Cedae diversas vezes, que compareceu ao local apenas duas vezes nos três meses de problemas. Uma para trocar a bomba estragada e outra para trocar a nova bomba que não tinha potencia suficiente para abastecer toda a região.

- Eu não sei por que eles vieram trocar a bomba. Nunca tivemos problemas graves com abastecimento, às vezes ficamos uma semana com água, mas na outra já não temos. Tenho que armazenar água para que o meu cachorro possa ter o que beber. É um absurdo estarmos passando por isso, pago minhas contas em dia - disse Wellington Pedreira, morador da Rua Professor Alberto Méier, há 50 anos.

A aposentada Neise de Melo sofre em dobro pela falta de água. O filho foi operado há poucos dias e a neta que mora com ela acabou de ter um bebê que precisa de cuidados especiais.

- Fiquei uns vinte dias direto sem água. Teve uma hora que eu fui até a Cedae, chorei e implorei para que eles fizessem alguma coisa por nós, mas não adiantou. Gastei R$ 150 com um caminhão de pipa d’água. Fiquei sem poder molhar minhas plantas, lavar louças e roupas, e meus netos não podiam ir para escola pela falta de água.

Mas a conta da Cedae vem todo o mês sem falta. Paguei R$148 no mês passado - disse indignada Neise que mora há 69 anos no morro da viúva.

A assessoria de comunicação da Cedae informou que as bombas pifaram por causa dos picos de luz que ocorreram na área há duas semanas. A empresa garantiu que estava consertando a bomba e que até esta sexta-feira o problema estaria resolvido.
 
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Ano XXXII - Edição 1359
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