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Tiroteio entre PMs e traficantes no Guarabu mata dois inocentes
Mãe e filho são atingidos por balas perdidas e moradores se revoltam
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Revolta e tristeza marcaram a tarde de segunda-feira, 2, no Morro do Guarabu, onde mãe e filho foram mortos atingidos por balas perdidas provenientes do confronto entre policiais e traficantes na favela.
O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro elaborou o relatório “Bala Perdida”, que constatou que mais de 200 pessoas foram vítimas de balas perdidas em 2006, segundo registros de ocorrências de delegacias do estado. Do total, 19 foram fatais.
Dados indicam ainda que a capital do Rio registrou o maior índice de atingidos por bala perdida: 17 fatais e 169 não fatais. O estudo divulgou também que, em janeiro desse ano, foram constatadas 31 vítimas de bala perdida, sendo três delas fatais.
Mãe e filho morrem atingidos por balas perdidas no Morro do Guarabu
A dona-de-casa Eugracinha Rosa, 71 anos, e seu filho, o pedreiro José Antônio Martins, 41, morreram na tarde de segunda-feira, 2, na porta de casa, na Rua Ébro, Morro do Guarabu. Eles foram vítimas de balas perdidas durante confronto entre policiais do 17º BPM e traficantes da favela. No enterro, realizado no Cemitério do Cacuia, na tarde de terça, 3, moradores protestaram pedindo a investigação dos culpados pelas mortes.
Segundo testemunhas, a idosa jogava o lixo fora quando foi atingida. José Antônio foi socorrê-la e também acabou baleado. Vizinhos avisaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência-Samu, onde trabalha outro filho de Eugracinha, o socor-rista Paulo Martins, 40 anos, informando que algo havia acontecido com a dona-de-casa. “Pensei que fosse pressão alta, porque ela sofre disso. Não acreditei quando vi minha mãe e meu irmão assassinados”, declarou desesperado.
Eugracinha era mãe de 7 filhos. Ela foi baleada no braço esquerdo e o projétil atravessou o ombro. José Antônio foi atingido na perna esquerda e no peito. Os corpos foram jogados, segundo testemunhas, por policiais envolvidos no tiroteio no quintal de outra casa da Rua Ébro.
O comandante do 17º BPM, tenente-coronel Célio Pedrosa, disse que os quatro PMs acusados informaram que faziam o patrulhamento motorizado em ruas no entorno do Morro do Dendê quando se depararam com um “bonde” - composto por duas motos e dois veículos - de criminosos armados. Houve troca de tiros, e a guarnição perseguiu o bando até a Ébro. No confronto, além da idosa e seu filho, um dos bandidos, Daniel Silva dos Santos, 26 anos, foi baleado, e morreu no Hospital Paulino Werneck.
— Estamos aguardando as investigações da 37ª DP, exames balísticos, depoimentos dos PMs e testemunhas, e resultado da perícia para esclarecer o caso e saber de onde partiram os disparos que resultaram na morte das vítimas — declarou Pedrosa.
Os corpos de Eugracinha e José Antônio só foram retirados do local, por volta das 22 horas, quando peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli e bombeiros chegaram. Há denúncias de que haveria mais policiais envolvidos no tiroteio, e eles estariam à paisana, patrulhando num veículo descaracterizado. A corregedoria da Polícia Militar foi acionada pelo Comando Geral da corporação para colaborar com a Polícia Civil com as investigações.
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